A História

De acordo com António H. Albuquerque Pinho, a história dos cineteatros em Albergaria terá o seu início em 1869, num prédio adaptado “fronteiro à Casa de Santo António” onde se “realizaram várias récitas de amadores locais”. Durante cerca de 50 anos, foram várias as tentativas, e os intervenientes, para a construção de um Teatro na “Praça Nova”, que “estava a ser aberta”, hoje o centro da Cidade.

Já na segunda década do século XX, “o reorganizado Grupo dos Modestos impulsionado pelo seu presidente, Dr. Bernardino de Albuquerque, consegue fazer erguer um grande edifício, com uma bela e imponente fachada Arte Nova, da autoria do consagrado arquiteto aveirense Silva Rocha”. O Teatro “abriu pela primeira vez ao público no Carnaval de 1924, inacabado como sempre ficou” sendo “pólo de cultura e divertimento, durante duas décadas, na arte dramática, no cinema e em festas, entre as quais as do renomado Carnaval Albergariense”.
Com 2ª Guerra Mundial vem a morte do Cine-Teatro, pelo que corria já o ano de 1945 (15 de Março) quando a Câmara Municipal “delibera mandar fazer as obras necessárias no Teatro desta Vila para que o mesmo possa servir para o funcionamento de Tribunal desta Comarca”.
Porém, alguns dias depois (5 de Abril), o mesmo executivo Municipal, sob a presidência do Dr. Bernardino Albuquerque, decidiu pôr à venda o Teatro.

A 15 de Outubro de 1945, começava-se a escrever, então, a história do Cine-Teatro Alba, com a adjudicação, por oitenta mil escudos, à firma com o mesmo nome, do antigo Teatro da Vila, sendo sócios e proprietários Augusto Martins Pereira e Américo Martins Pereira. Detentor de iniciativa, dinamismo e visão invulgares, Américo Martins Pereira, filho do primeiro, rapidamente apresentou requerimento pedindo licença para a demolição do Teatro existente e construção, no mesmo local, dum novo edifício, o Cine-Teatro Alba.
O projeto do novo edifício foi entregue ao engenheiro e arquiteto Júlio José de Brito, autor de outros projetos similares (Rivoli Teatro Municipal, Porto; Cine-Teatro S. Pedro, Espinho; Teatro Jordão, Guimarães), com o custo de vinte e cinco mil escudos. Entre 1945 e 1950, num ambiente de grande entusiasmo e envolvimento dos proprietários, colaboradores e trabalhadores das Fábricas Alba, ergueu-se uma obra magnífica, com muitas particularidades, plena de histórias e experiências únicas, num investimento de 3 331 964$76. Porém, a história desta obra ficara marcada pela morte prematura do seu grande mentor e impulsionador, Américo Martins Pereira, em Setembro de 1949, em consequência de uma intervenção cirúrgica, em Lisboa.

Num ambiente de festa contida, pela perda do “obreiro principal desta realização magnífica”, o Cine-Teatro Alba é inaugurado a 11 de Fevereiro de 1950, assumindo-se como uma “das melhores, mais modernas e mais luxuosas casas de espectáculos do País”. Dotado de excelentes condições técnicas, foi palco de um enorme repertório cultural, com a passagem de muitos dos nomes mais sonantes do teatro e da revista. O cinema teve um papel preponderante na dinamização do Cine-Teatro, as famosa máquinas “Gaumont Kalle 21” projetaram os filmes de sessões inesquecíveis para algumas gerações de jovens albergarienses.
Depois de cerca de três décadas de glória, nos anos 80, o Cine-Teatro Alba começa a definhar, quer em termos físicos, quer técnicos, quer de programação, esta última muito pelo manifesto declínio da atividade cinematográfica, um pouco por todo o País, aventando-se o seu fim, total ou parcial.
Depois de várias diligências, a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha deliberou adquirir o Cine-Teatro Alba por 75.000.000 de escudos, sendo celebrada escritura de compra e venda a 28 de Julho de 1995, estabelecendo um Acordo de Cooperação com o Ministério da Cultura, assinado a 18 de Fevereiro de 1997 pelo Dr. Rui Marques, que lhe garantiria uma comparticipação de 37.500.000 de escudos. A 3 de Maio de 1997, o Cine-Teatro Alba retomou a sua atividade, ainda que sem programação regular, servindo, especialmente, os agentes locais.
Em 2002, o novo Executivo autárquico, sob a presidência do Prof. João Agostinho Pereira, dá início a um novo processo, tendo em vista a requalificação do Cine-Teatro Alba, estabelecendo contactos com os diferentes organismos do Estado no sentido de garantir o apoio, técnico e financeiro, necessário para a concretização daquele objetivo.
A 27 de Abril de 2012, depois de vinte meses de trabalhos de restauro e requalificação, num investimento de cerca de 3,2 milhões de euros, o Cineteatro Alba (re)abre as portas ao público com a ambição de ser uma nova referência de produção artística e fruição cultural na região e no país, um Projeto do Arquiteto Rui Rosmaninho.